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Bancários rejeitam proposta da Fenaban que retira direitos e congela salários


O Comando Nacional dos Bancários rechaçou terça (21) a proposta dos banqueiros para o acordo coletivo da categoria. A oferta, considerada insuficiente pela bancada trabalhista, prevê acordo de dois anos, com reajuste pelo INPC mais 0,5% de aumento real nos salários, PLR, tíquetes, vales e outras verbas econômicas.

Os dirigentes rejeitaram a proposta na mesa de negociação, denunciando que o patronato insiste no arrocho salarial enquanto os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa) lucraram, somente no primeiro semestre, R$ 42 bilhões – ou quase 18% mais que em 2017.

As instituições apresentaram aos bancários um acordo que também tenta impor alterações ou exclusão de diversas cláusulas de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Entre elas, o pagamento proporcional (e não mais integral) da PLR das bancárias em licença-maternidade e de afastados por doença ou acidente.

“Rejeitamos a proposta porque tem retirada de conquistas e, em assembleias realizadas em todo o Brasil, a categoria já afirmou que não aceita nenhum direito a menos”, explica Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Ela continua: “Houve alteração no índice, com aumento real, mas ainda é insuficiente, aquém do que eles podem pagar. Setores menos lucrativos pagaram aumento real maior e os bancos podem chegar a um índice maior”.

“Na categoria bancária, as mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho e recebem, em média, salários 23% menores que os dos homens. Os banqueiros querem penalizá-las ainda mais propondo a redução de uma conquista adquirida durante anos, após muita luta de toda a sociedade, que é a manutenção dos direitos durante a licença-maternidade. Um absurdo e não vamos aceitar”, diz Ivone Silva, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

Agências - Nesta quarta (22) ocorreram paralisações em todo o País. Em São Paulo, trabalhadores de diversos centros administrativos e agências aderiram ao protesto. Os bancários reivindicam respeito e proposta decente da Fenaban.

A ideia causou revolta entre a categoria. “Essa proposta é um verdadeiro insulto, ainda mais vindo de um setor que lucra cada vez mais e cujas trabalhadoras mulheres, apesar de serem mais escolarizadas, são obrigadas a viver com salários mais baixos do que os pagos aos homens”, protesta Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A dirigente lembra também que os grande bancos investem no marketing de inclusão, igualdade de gênero e diversidade. "Todos estão indignados com essa atitude. É um marketing mentiroso. Mas serviu para acordar os trabalhadores. Essa proposta agride diretamente as mulheres. Além do mais, muitos bancários adoecem por conta da pressão por metas, assaltos e tantos problemas de saúde. Não querer pagar PLR, que é um direito conquistado há anos, é um abuso" ressalta Neiva. 

A Fenaban pediu um prazo para se reunir com os bancos e a negociação continua nesta quinta (23). Os bancários seguem mobilizados em semana de luta por todo o Brasil.

Mais informações: www.contrafcut.org.br

Fonte: http://www.agenciasindical.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=9355&friurl=_-Bancarios-rejeitam-proposta-da-Fenaban-que-retira-direitos-e-congela-salarios-_

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