ASTECA


O agora exige formação em primeiro lugar II


Em postagem anterior, 10/10/2017, abordei o assunto do começo. Você pode acessar a matéria aqui 

Prosseguindo: 

Durante quase todo o governo Dutra e o de Getúlio, até 1956, o PCB tentou implantar a liberdade sindical de baixo para cima, criando os chamados "sindicatos paralelos". Segundo ele, uma estrutura mais moderna e livre do guante do aparelho de estado. Mas, os trabalhadores não se sentiram atraídos por essa nova estrutura. Para tais sindicatos só iam os comunistas e seus aliados. Mais ninguém.

Daí que, cansado de apanhar, o PCB mudou de tática. Orientou sua militância a ingressar nos sindicatos chamados de "oficiais". E qual não foi o resultado? Em 1958 a influência dos comunistas na estrutura sindical já era grande. Tanto que, a partir daí, começaram a serem criados os Conselhos Sindicais, o primeiro em São Paulo, o segundo no Espírito Santo, e dai pra frente, até chegar a criação do Comando Geral dos Trabalhadores em 1962. O sindicalismo inativo que veio de 1947 até 1956 acabou. Daí em diante a ação sindical tornou-se cada vez maior, cada vez mais agressiva, até que, vendo isso, a burguesia e os militares perpetraram, e com êxito, o golpe de estado de 1964. 

Sem dúvida alguma as greves, passeatas, comícios, o diabo, realizados pelo CGT e entidades sindicais filiadas contribuiu, fortemente, para assustar nossa elite tacanha, e movimentá-la em direção ao golpe para garantir seus odiosos privilégios.

Apesar de, ainda nos anos 1950, o industrial italiano Agnelli haver publicado artigo intitulado "vamos dar os anéis para preservar os dedos" essa não era a preocupação da burguesia mais atrasada.

Mas, tudo isso, contribuiu substancialmente para a elevação da consciência política e de classe dos trabalhadores em geral, e dos sindicalistas em particular. O golpe esmagou o CGT e desarticulou a organização sindical prendendo e assassinando dirigentes sindicais. Com isso, nosso CGT sumiu na hora. 

E na Argentina, como se deu lá o processo golpista? Para tentar acabar com o CGT os militares tiveram de utilizar a artilharia para desalojar, leia-se assassinar, os sindicalistas que se alojaram dentro da sede do CGT. Posteriormente, as coordenações gerais dirigentes do sindicalismo continuaram existindo, na clandestinidade, tanto na Argentina como no Chile, o que não se deu no Brasil.

Acho que, tudo isto nos mostra, companheiros, que o decisivo nessa questão foi o nível de consciência política e de classe dos trabalhadores brasileiros, argentinos e chilenos. Mostrou-nos, claramente que o nível de nossos vizinhos era, e ainda é até hoje, bem superior ao nosso. É o nível político e ideológico dos trabalhadores que torna a ação política e sindical destes, maior ou menor, mais avançada ou mais atrasada, mais agressiva ou morna. 

Não é a estrutura que faz avançar a luta, embora ajude muito, mas a cabeça dos integrantes da classe operária. Logo, como tenho repetido por décadas, o fundamental no Brasil e aprofundarmos o trabalho de formação. É levarmos aos trabalhadores e dirigentes sindicais conhecimentos políticos, conhecimentos filosóficos, de economia, e sociais. 

Como, durante cerca de 5 anos, a Confederação Nacional dos Metalúrgicos - CNM CUT - realizou esse trabalho através de seu Instituto Integrar, diga-se de passagem, com bastante êxito. Infelizmente por razões que não cabem detalhar aqui, foi ele interrompido em meados de 2002, quando FHC determinou ao MTE a suspensão das Verbas do FAT a ele destinadas,.

Se não tivermos a capacidade de mostrar claramente para os operários quais são as reais causas dos seus salários mais baixos ou melhores, de suas piores ou melhores condições de trabalho, enfim, de seus direitos trabalhistas e sociais, não chegaremos a lugar algum. E não haverá estrutura sindical alguma que substituirá a consciência política e de classe da classe operária.

Precisamos deixar claro que, seus direitos, a melhoria de suas condições de trabalho e de vida, nada têm a ver com a bondade dos patrões, muito menos caem do céu, e tem muito pouca relação com sua escolaridade, embora, seja importante cuidar dela.

As condições de trabalho, os salários, enfim, os direitos trabalhistas e sociais dependem, diretamente, da luta dos trabalhadores, a qual, por sua vez, também, está diretamente ligada ao nível de consciência política e ideológica deles que, igualmente, não cai do céu, é consequência de muito esforço para angariar conhecimentos, e de um trabalho sério e cotidiano de formação política e sindical. Sem isto, nada feito. Nenhum padre, nenhum pastor, nenhum patrão "bonzinho", nenhuma escola, nenhum conhecimento técnico ou administrativo, os libertará dos grilhões da tirania e cruel exploração capitalista.

O momento exige dos sindicalistas rigorosos cuidados com a questão da administração, contabilidade e finanças.

Portanto, vocês devem verificar, e com urgência, se a sua atual assessoria contábil reúne as condições necessárias para, ao menos nessa área, colocar a entidade fora do alcance das agressões que possam vir pela via Fiscal. Senão, procure alguma que possa satisfazer as necessidades da entidade no enfrentamento da situação de "vacas magras" que se avizinha.

Só a luta muda nossa vida, e para avançarmos precisamos saber, e com muita clareza, onde estamos e para onde queremos ir!

José Augusto Azeredo

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