ASTECA


Coluna do Fernando Neto : REFORMA E REVOLUÇÃO


08/08/2017

Conta-se que Rosa Luxemburg flexibilizou a sua primeira alternativa: reforma ou revolução. Mas, à medida que se estuda o marxismo, percebe-se que “ a parteira da história” e as suas vítimas envolvem a logística do capital e, aí, as perdas e danos colaterais tendem ao infinito.

É necessário admitir que, mesmo sem guerra, há desigualdade e ela determina perdas e danos colaterais constantemente. A ausência de guerras não significa a ausência de vítimas, devido a desigualdade social. Lula comparou a fome às armas de destruição em massa.

Nós temos que sentir solidariedade por mais de 7 bilhões de almas no planeta. Estou escrevendo exatamente isso!

Logo, a “parteira da história” é sempre atual e exibe o seu urgente apelo na categoria social. Inclusive porque não há agora uma guerra mundial, mas muitas guerras de mercado, agora do mercado do petróleo, mais visivelmente. Não estou usando a linguagem alienada de entender as guerras atuais como religiosas, raciais, étnicas etc. Estou a considerar o critério econômico-político.

Ontem, tive um “insight” a respeito da Internacional Socialista, quando estava a refletir sobre a Venezuela.

É que a Internacional necessária para a revolução, derivaria da acumulação do capital.

Então, pelo paradoxo da expansão do livre mercado a virar o mundo, a internacionalização do capital seria a mesma da internacionalização do ... socialismo.

Perguntei-me, então, diante do que seria o espontaneísmo histórico, do voluntarismo da Internacional Socialista?

Como se não fosse possível fazer a revolução sem a acumulação do capital a virar o mundo, aliada do voluntarismo paralelo da internacionalização, então orgânica e forte.

Por outro lado, desde os assomos socialistas antigos e modernos, aqui e ali no mundo, como o de agora na Venezuela, afinal, diz-se, a revolução é sempre prematura, é claro que a sua eclosão deve ser seguida por outros países ou fracassará.

Inclusive os países de capitalismo mais avançado, principalmente os EUA.

A Internacional, portanto, não deveria ser voluntarista, tanto quanto seria espontânea em sua função libertadora.

A esperança da revolução venezuelana encontra-se, portanto, fora da Venezuela e em outros países. E ela funcionaria apenas como um estopim.

Quais os outros países que, no momento, acompanhariam Venezuela na generalização das pretensões dos trabalhadores do mundo inteiro?

Você poderia pensar no Irã, na Rússia, na China e na Coréia do Norte. Mas eles estão apenas confrontando as sanções da ONU, aliás controlada pelo capital. De modo que ela é uma organização ultrapassada ou algo frágil para arbitrar o que se passa no mundo. A ONU não é Internacional alguma !

Então, há que se pensar nos países de capitalismo mais avançados, embora não seja fácil admitir qualquer socialização dos EUA.

As alternativas de Rosa incluem, porém, uma outra : “socialismo ou barbárie”.

Ora, ou os países de capitalismo mais avançado se socializam, inclusive os EUA, ou o nosso futuro será a barbárie.

Aqui, o protagonismo da Internacional não contempla o Marx otimista quanto à transição, não mais o “determinismo” em passar do capitalismo ao socialismo.

E surge uma janela de voluntarismo revolucionário com armas atômicas e de destruição em massa.

É que tais armas também internacionalizam a guerra, tal como a acumulação do capital a virar o mundo.

Mercadorias ideais por terem só valor de troca, agora ameaçam com valor de uso.

Daí que a Venezuela pode estar conflagrada não só em seu território onde o trabalho de sapa do capital tenta derrubar o seu líder, para colocar no governo um dos seus assistentes locais com faz de hábito. A Venezuela está conflagrada no mundo em que se está no limite absoluto da acumulação do capital, no limite absoluto do equilíbrio nuclear e no limite absoluto do desequilíbrio ecológico. Juntamente!

Enquanto a janela estiver aberta, a Venezuela resistiria, com bons motivos, à espera do que ocorre internacionalmente.

Quando a internacionalização da acumulação do capital vai ceder o espaço a ser finalmente preenchido pela Internacional Socialista !

O socialismo pode, e não pode, ser apenas bolivariano. Mas, sendo internacional, ele deve ser acompanhado por outros assomos suficientemente numerosos e abrangentes. Incluindo os EUA.

Quem sabe os EUA admitem a necessidade da socialização e nos unimos todos pela paz antes da barbárie, através da consciência das perdas antecipadas? Ou, como escrevi acima, as atuais e permanentes, derivadas da desigualdade social?

Seria assim ?

Fernando Neto
 

Fonte: Ilvaneri Penteado - Jornalista - Rio de Janeiro

Comentários