ASTECA


O principal é investir pesado na formação sindical


Porque a Asteca enfatiza tanto a formação sindical, e dos trabalhadores brasileiros?

Porque desde o início de nossas atividades colocamos a formação como prioridade de nosso trabalho?

Ao chegar a São Paulo no mês de agosto de 1980, tinha em mente trabalhar duro pela organização da classe operária nas empresas porque, não via como caminhar neste país rumo à democracia e ao socialismo senão com base na organização do proletariado nas fábricas.

Para isso, claro, a ferramenta essencial seria a formação política e teórica com vistas transmitir ao proletariado consciência de classe. Ou seja, criar um trabalhador que sabe o que quer e, portanto, para onde deve ir.

Mas, simultaneamente, precisava de trabalho, de sustento. Daí que, quando o bancário Mito propôs ao metalúrgico Zé Augusto, colocarem um escritório para dar assessoria contábil aos sindicatos, chegamos juntos ao "mamão com açúcar", expressão cara ao estivador Geraldo Rodrigues dos Santos, o Geraldão, comunista de primeira linha e defensor vigoroso dos trabalhadores.

Começava ali a parceria que vigora até hoje entre a categoria bancária e a categoria metalúrgica, isto, claro, no âmbito da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, de cuja criação tive a honra de participar.

Mas, Mito e eu não pensávamos em fazer apenas a contabilidade dos sindicatos, não, pensávamos em transmitir aos novos dirigentes e militantes sindicais que estavam surgindo na esteira da derrota da Ditadura Civil e Militar de 1964, iniciada com as greves de 1978 no ABC, nossos conhecimentos práticos de sindicalismo e nossos conhecimentos teóricos sobre as lutas do proletariado no mundo, especialmente a partir da greve geral de 1917 no Brasil e da Revolução Socialista de Outubro na Rússia, naquele mesmo ano.

Enquanto, nos anos 1980, os sindicalistas discutiam qual a melhor forma de organização dos sindicatos, se deveria ou não existir o imposto sindical, se a CLT tinha origem na Constituição de Mussolini, na Itália, etecetera e tal, nos estávamos empenhados em defender a formação política e sindical dos trabalhadores. Porque entendíamos que esses problemas em discussão eram importantes, sim, mas, o fundamental era o baixo nível de consciência dos trabalhadores brasileiros, o qual nada poderia mudar senão o trabalho de formação.

Lembro que, na época, o Partido Comunista orientava seus médicos, dentistas e advogados que, discutissem com os trabalhadores, na hora de atendê-los nos consultórios, as questões políticas e sindicais mais sentidas na ocasião. Ou seja, não se limitassem ao trabalho profissional, promovessem a conscientização da população por eles atendida.

Continuo achando, companheiros, que o problema permanece o mesmo. A pequena resistência ao Golpe que pretende revogar a CLT, revogar os Direitos de Aposentadoria, e, se "marcarmos bobeira" essa gente aí revogará até a Lei Áurea, mostra com toda a crueza a fraca conscientização de nosso povo que, se reflete até no grave vacilo que estamos assistindo, diante de tanta agressão perpetrada contra ele.

Diante disso, continuo empenhado na defesa do processo de formação de nosso povo como tarefa principal a desenvolvermos ainda hoje. 

A Asteca está gestando um seminário que aborde de maneira central a história do movimento sindical brasileiro, desde o início do século XX até a atualidade, com enfoques especiais para a atuação dos sindicatos brasileiros no período que antecedeu ao golpe militar (1956-1964), e aquele que precedeu a formação das centrais sindicais (1977-1984).

Esperamos colocá-lo em prática tão logo possível e, em ocasião adequada, teremos a satisfação de convidarmos os companheiros para deles participarem, seja nas instalações da Asteca seja nas sedes de suas respectivas entidades.

Não podemos perder de vista também que, são radicais as transformações que o modo capitalista de produção e sua terceira revolução industrial vêm imprimindo no mundo do trabalho, extraordinariamente diferente hoje do meado do século XX, e muitíssimo mais distante ainda, das condições vigentes nos séculos XVIII e XIX. As ideias do “estado mínimo” e do “enxugamento” das empresas, apesar de já derrotadas teimam em persistir ainda na atualidade.

Por isso, a gestão das entidades sindicais vem adquirindo um caráter cada vez mais politizado, posto que, para construir projetos consoantes com a nova realidade em que vivemos, e ganhar a correspondente confiança dos trabalhadores, será necessário demonstrar muito talento, tanto na ação política, quanto na gestão administrativa, o que exige modernização da estrutura sindical, e aperfeiçoamento continuado da organização e do planejamento.

Portanto, a superação da crise do capitalismo, de um lado, e a superação do processo golpista que estamos sofrendo e pretende fazer o Brasil retornar às condições políticas e sociais do início do Século XX passa, antes de tudo, por um aprofundado e meticuloso estudo das suas causas reais, que favoreça caminhar para um novo sindicalismo. Para isso, torna-se imperioso dotar as entidades de um processo sistemático de formação, onde os seminários de gestão sindical para dirigentes, funcionários e militantes possam dar uma contribuição substancial.

A Asteca realiza seminários sobre gestão sindical em sua entidade que, abrangem tanto a esfera da administração e finanças, quanto a sindical.

Consultem os clientes dela e façam contato em seu escritório para maiores informações.

José Augusto Azeredo
 

Fonte: Blog do Zé Augusto

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