ASTECA


A propósito do "Comando Anti Golpe" de Maduro


Após o golpe de 1964 publiquei na imprensa clandestina, claro, um artigo condenando a "Ilusão de Classe" que, a meu ver, tinha acometido a comunistas e nacionalistas no período democrático que lhe precedeu.

Em que consiste a "Ilusão de Classe". Em levar os revolucionários, aos que se intitulam como tal, e aos seus apoiadores, à ideia de que, o desenvolvimento social se dá sempre em linha ascendente. O mote escolhido por Adhemar de Barros para sua última campanha à presidência da República, sem querer, pois o velho caudilho nada tinha de comunista ou nacionalista, deixava entrever com clareza essa ideia torta: "Para frente e para o alto!”.

Perfeito, era isso que movia nossos companheiros na luta. A democracia era irreversível. Por isso, nada de cuidados nas alianças e muito menos com o porvir! O resultado do "descuido" foi o golpe de estado. Que brecou o desenvolvimento social então avançando, fazendo-o patinar e recuar. Só voltamos a retomar o fio da meada a partir da Constituinte de 1988, onde deixamos muito a desejar na atitude política...

Por isso, quando o companheiro Lula foi eleito em 2002 insisti através do jornal Asteca Informa, da necessidade de serem criados "Comités de Defesa do Governo Lula" por todo canto. Nos sindicatos, nas empresas, entre os trabalhadores urbanos e pequenos produtores rurais, nas escolas, nos clubes desportivos, nos bairros, nos hospitais, nos quartéis, enfim, em todo lugar onde existisse povo.

E porque isso? Porque tínhamos certeza de sua absoluta necessidade. Tínhamos certeza de que, passado o susto com o imprevisto da eleição de um operário, sem um dedo, nordestino, para a presidência da República a elite iria se organizar para, num primeiro momento, fazer-lhe, no mínimo, uma oposição dura. Tanto assim foi que, logo no primeiro trimestre de 2003 os empresários fizeram uma reunião num hotel da Ilha de Comandatuba, isso mesmo, lá onde se reúnem os socialites e seus acompanhantes, os que não têm o que fazer nem como aparecer fora das colunas sociais, etc.

Essa reunião se deu, antes mesmo que a Frente vitoriosa nas eleições fizesse a sua para traçar um Programa de Governo. O PT e a CUT então, só acordaram para o fato de que não eram "o Governo" e sim participes “de um governo”, muito e muito tempo depois. Só muito depois procuraram elaborar um Programa “seu” de Governo independente do Programa da Frente e até de Lula.

Reconheça-se que o proleta foi esperto na ocasião. Estimulou o PT e a CUT a terem programas próprios. Estimulou o PT a voltar a ter núcleos, tentou impedir a revoada de sindicalistas para postos no governo. Claro que os que assim pensávamos fomos amplamente derrotados.

Durante todo o tempo do governo Lula insistimos em artigos para que se cuidasse, o quanto antes, de cortar "as asas" da mídia.

Bem, no final das contas o Governo, o PT, a CUT e as forças democráticas continuaram acreditando em "Papai Noel" e nada fizeram para garantir um governo presidido por um operário. Certa vez, numa reunião sindical, quando falei em "Comités de Defesa" e em botar a massa na rua, um companheiro perguntou: "E se a direita tomar a massa de nós". Ao que eu respondi: "Se a direita tomar as massas de nós temos que ir para nossas casas, botar o rabo entre as pernas, e nunca mais falar em política"!

Não preciso nem dizer em que deu essa falta de politização dos nossos companheiros. Deu em encher o rabicó da Globo de dinheiro, lá em março de 2003, salvando-a da falência e fortificando-a para "mandar brasa" a partir de maio, contra nós e não para nunca.

Sabem o que penso? Que corremos o sério risco de, se e quando conseguirmos reverter esse golpe, voltarmos a encher o cofrinho da Globo, nem pensar em "Comité de Defesa" porque "esse Zé Augusto é um chato", e continuar firme com a crença em "Papai Noel". Até que surjam novos Cunhas, novos Temers e cia, para dar-lhes novo susto, fazer-lhes uma nova "surpresa"...
 

José Augusto Azeredo

Fonte: Blog do Zé Augusto

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